" A inquietude não deve ser negada, mas remetida para novos horizontes e se tornar nosso próprio horizonte."
Edgar Morin

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O domingo da força bruta - Evolução do Brasil em campo. Evolução do Brasil fora de campo - Blog de *Julio Gomes


O fato é que esse país está cansado. Está cansado de quem governa, de quem já governou e de quem se propõe a governar, está cansado de governo e oposição. Está cansado da política, da palhaçada que vemos todos os dias nos Congressos, Assembleias e tribunais. Joseph Blatter “exigiu” fair play em seu discurso. É exatamente assim que a Fifa agiu até agora e seguirá agindo, mandando e desmandando, exigindo que todos baixem a cabeça a seus caprichos. Os governantes podem ter sucumbido, mas as 67 mil almas que vieram ao estádio deram o seu parecer. Blatter pediu fair play e ouviu o que deveria ter ouvido há muito tempo. Falou o que quis, ouviu o que não quis – finalmente.

A senhora Dilma Rousseff, a quem não avaliarei aqui, para que o debate não se distorça, precisa entender que ela está fazendo parte de uma gigante palhaçada. É possível gostar do futebol, mas ficar revoltado com uma Copa do Mundo superfaturada. É possível querer estádios bacanas e modernos, mas que eles não sejam feitos com derrame de dinheiro público, ausência de planos de viabilidade e licitações para lá de duvidosas.

O governo federal e os estaduais (estes, de diversos partidos, governistas e de oposição) foram partícipes ou coniventes com tudo isso. A festa é legal, mas quem paga a conta somos nós, e quem leva o dinheiro dessa conta são poucos, muito poucos. Em regra, não são meus amigos. E nem teus, leitores. Eu sou a favor da Copa no Brasil e, ao mesmo tempo, fico revoltado com os despejos e com o descaso com o que realmente importa, o legado para as cidades envolvidas.

Vocês acham que o que acontece em São Paulo acontece por causa de 20 centavos? Os protestos em Brasília só porque foi gasto dinheiro demais no estádio? As vaias de hoje só porque o estádio era dominado por anti-petistas?

Pois bem. Continuem achando. Vivam nesse maniqueísmo tosco que domina nossa sociedade, do bem contra o mal, o preto ou o branco. Esse país está virando um barril de pólvora, porque as pessoas não aguentam mais. E Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíada são o fósforo perfeito para esse fogo chegar ao barril. Hoje, os políticos tiveram um cheiro. Eles ainda têm um ano para buscar a redenção. Que busquem, pois.
* Julio Gomes é jornalista esportivo que iniciou sua carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madri, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN