" A inquietude não deve ser negada, mas remetida para novos horizontes e se tornar nosso próprio horizonte."
Edgar Morin

domingo, 4 de março de 2012

A INFORMALIDADE DA ESCOLA PRIVADA x EDUCADORES x LUCRO


*Juliane Borges Gomide

A escola não deve ser burocrática, mas passível de organização. A escola não deve ser paternalista em excesso, mas educativa ao extremo.

A escola deve ser vista, compreendida e vivenciada como um agrupamento ético social, no qual está engendrado uma dinâmica formativa e informativa, que não se compõe somente de professores e alunos, mas também de gestores, corpo técnico e administrativo, no mínimo qualificado e competente para ser o suporte do processo ensino aprendizagem.

A escola que não reconhece o trabalho criativo e organizacional dos seus assessores educacionais, educadores por excelência, será extirpada do sistema educacional, não brasileiro, mas do mundo globalizado e neoliberal, o qual tem na geração do conhecimento a força motriz para sua manutenção ideológica.

A escola contextualizada nos paradigmas que não correspondem às determinadas “verdades”, comprovadas pela ciência educacional, pode parecer dar “certo” até quando as quotas de alunos forem se evadindo deste espaço maquiado, sem plano diretor, sem quem o elabora e executa com a legitimidade e destreza profissional.

Educadores por excelência, os coordenadores pedagógicos, ou afins, em geral, além de ser reconhecidos profissionalmente pelos “administradores de empresas” de ensino, os quais deveriam ser gestores pedagógicos, devem ser bem remunerados pela sua formação acadêmica enquanto profissionais da educação, como os professores que se encontram na docência, pois são eles que suportam o peso da realidade neocapitalista e articulam este fardo, entre a pressão do “dono” da escola para obtenção de resultados lucrativos e a consciência de implantar e manter o humanismo no Ethos educativo.

Planejamentos, Projetos (do político pedagógico ao de atividades de ensino), elaborações e orientações pedagógicas no geral e suas respectivas execuções com autonomia e respeito ao profissional coordenador, é a efervescência de uma organização institucional de ensino que supostamente queira obter “resultados” vestibularísticos, o que prefiro denominar de êxito educacional.

A escola, seja ela preparatória ou regular, deste milênio, não vence no grito e nem no abraço, muito menos no cansaço para com educandos e educadores, a fim de alcançar expressivo índice de aprovação nos processos seletivos, mas com uma única verdade simples: “EDUCAR”. Resultados serão mera conseqüência, tese esta publicamente defendida e trabalhada em mega escolas privadas goianas e nacionais, já denominadas de escolas da Pós-contemporaneidade. 

No século em vivência a escola já ultrapassa a satisfação das conveniências do lucro. Mesmo com a imposição dos objetivos neocapitalista contemporâneo, creio que educadores “dentro ou fora do sistema” fechados e imparciais deste lucro, irão debater e insistir na proposta real de que educar vai além de vomitar verbos, mastigar formulas interpretar bulas, espremer células neurovegetativas.

Ademais, deixo claro que esta é minha opinião, foi através da leitura que realizei enquanto queriam que eu fosse sujeito manipulado por um processo de inculcação de “bedel” educacional, em uma escola privada, então, atendi e compreendi que: ”... A verdade é uma coisa deste mundo: ela é produzida apenas em virtude de múltiplas formas de constrangimento. E ela induz efeitos regulares de poder. Cada sociedade tem seu regime de verdade, sua política geral de verdade, isto é, os tipos de discurso que ela aceita e que ela faz com que funcionem como verdadeiros; os mecanismos e instâncias que nos permitem distinguir entre afirmações falsas e verdadeiras; os meios pelos quais cada uma delas é sancionada; as técnicas e procedimentos que atribuem valor na aquisição da verdade, o status daqueles que são encarregados de dizer o que conta como verdadeiro”. (Foucault apud Cherryholmes, C. In: Silva, p.151).

*Educadora, Historiadora e Artista Plástica