" A inquietude não deve ser negada, mas remetida para novos horizontes e se tornar nosso próprio horizonte."
Edgar Morin

terça-feira, 26 de maio de 2009

Desabafo de uma Profissional Professora Educadora

Tenho uma profunda dor em meu coração...um vazio estratosférico que me fere a cada momento em que me deparo com a ausência do meu trabalho profissional.
Onde estão os alunos?...me falta o giz...e ar
Onde estão os questionamentos que eles me faziam?...as brincadeiras de amigo pra amigo ..
Me sentia uma majestade quando me encontrava diante deles, em analise e discussão de um tema, e outros. Entregava meu suor intelectual..minha dor na laringe não doia... repetidamente durante 27 anos em tom de voz agudo eu me maravilhava com o conteúdo que ensinava e colocava em questao. A cada entendimento, a cada duvida , a cada questionamento surgido deles...a cada orientação que expedia ao professor, a cada reunião que coordenava..a cada ação dentro do meu território...so satisfação.
A satisfação de contribuir com esclarecimentos em varias áreas do conhecimento : pedagogia, historia, geografia, ética, filosofia, sociologia, etc. Era como se eu tivesse asas que me faziam voar sobre o infinito do prazer da liberdade de expressão intelectual e sobre o vale multifacetário do processo ensino aprendizagem.
Educadora, professora..Kd vc? Lagrimas derramam..me consomem..me arrastam a exaustão da da tristeza.....somente suporto..tento não me lembrar ....mas quando as lembrancas me capturam e desprevenidamente me assaltam ....que DOR!!!
Tento convencer que devo deixar o passado passar...mas ele não passa na minha inata alma de professora...no meu espírito milenar errante , mas, de também, educadora.
O meu intelecto tem sede e fome de transgredir este decreto insólito : fim da minha carreira...nao consegui retornar ao meu trabalho... razoes que enumero e questiono sem saber quais são as reais ...entre elas: falencia....perdi meu nome ..ta sujo... e quando sujou...borraram e impediram meus sonhos acadêmicos...
Meus alunos...me falta giz...me falta ar.....
Não sou desonesta... sou capaz...sou graduada...sou posgraduada..sou..sou..sou..mas será que sou mesmo??? O que agora??? Uma mulher...mas, e a profissional? ela e parte de mim mulher...amputada sigo...sem filhos e alunos....sem sala de aula..sem giz...sem ar...
Me falta ar de escola..me falta barulhos de carteiras arrastando...sorrisos de gente cansada que estuda a noite, que se torna seus amigos, estão cansados como vc, mas se encontram no posto do crescimento intelectual, lutando contra uma correnteza sincronizada com a injustiça politica, social, econômica e cultural.
Me falta a sala mesmo que vazia, qdo todos iam e vc ficava preparando sua próxima aula..saudades.......ausencia de tudo e total...e os meus conhecimentos?..e os meus estudos e pesquisas?
Morrerei com eles? Posso ser voluntaria...sei...mas queria ser também uma profissional que segue sua carreira, se orgulha dela, cresce nela, envelhece nela...morre com ela... e renasce para outra vez para ser professora.Ainda tenho este grande consolo.
Onde esta Vc escola? universidade? alunos criancas, adultos, terceira idade,pobres, ricos, brancos, afros, amarelos?? ....Onde encontro vcs?
Semana que vem viro a esquino dos 46 anos....sem sala de aula..sem ambiente de escola, sem colegas, sem professores para eu orientar, sem rumo...sem ser Eu.
Uma professora sem sala de aula..sem emprego...sem identidade e sem cidadania.
Obs.: Em anexo o meu curriculum lattes/CNPQ. Emoldurem se quiser.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

HISTORIA DO BRASIL: Operação Condor - Ditaduras se uniram para perseguir adversários


Vitor Amorim de Angelo*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Goulart, Lacerda e Kubitschek: vítimas da Operação Condor?

A Operação Condor foi uma aliança estabelecida formalmente, em 1975, entre as ditaduras militares da América Latina. O acordo consistiu no apoio político-militar entre os governos da região, visando perseguir os que se opunham aos regimes autoritários. Na prática, a aliança apagou as fronteiras nacionais entre seus signatários, que se articularam na repressão aos adversários políticos.

O nome do acordo era uma alusão ao condor, ave típica dos Andes e símbolo do Chile. Trata-se de uma ave extremamente sagaz na caça às suas presas. Nada mais simbólico, portanto, que batizar a aliança entre as ditaduras de Operação Condor. Não à toa, foi justamente o Chile, sob os auspícios do governo de Augusto Pinochet, quem assumiu a dianteira da operação.

Além do Chile, fizeram parte da aliança: Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. Nos anos 1980, o Peru, já sob uma ditadura militar, também juntou-se ao grupo. Pode-se dizer que a operação teve três fases. A primeira consistiu na troca de informações entre os países-membros. A segunda caracterizou-se pelas trocas e execuções de opositores nos territórios dos países que formavam a aliança. A terceira fase ficou marcada pela perseguição e assassinato de inimigos políticos no exterior - muitas vezes no próprio exílio.

Calcula-se que, apenas nos anos 1970, o número de mortos e "desaparecidos" políticos tenha chegado a aproximadamente 290 no Uruguai, 360 no Brasil, 2 mil no Paraguai, 3.100 no Chile e impressionantes 30 mil na Argentina - a ditadura latino-americana que mais vítimas deixou em seu caminho. Estimativas menos conservadores dão conta de que a Operação Condor teria chegado ao saldo total de 50 mil mortos, 30 mil desaparecidos e 400 mil presos.


A participação do Brasil
O Brasil participou ativamente das duas primeiras fases da Operação Condor. Não há, contudo, evidências que comprovem seu envolvimento com o extermínio de adversários políticos fora da América Latina. O Brasil apoiou os golpes militares em pelo menos três países da região: Bolívia, em 1971; Uruguai, em 1973; e Chile, no mesmo ano. Já existiam, portanto, estreitas ligações entre as ditaduras latino-americanas.

A Operação Condor veio apenas reforçar os laços políticos e militares, reorientando a aliança entre os governos da região para a perseguição a seus opositores. Nesse sentido, um caso emblemático foi o episódio envolvendo o seqüestro de uruguaios em Porto Alegre, em 1978. Militares daquele país atravessaram a fronteira com o Brasil, com a anuência do governo brasileiro, para seqüestrar um casal de militantes de oposição ao governo uruguaio que estavam na capital gaúcha.

A operação teria sido um sucesso - como tantas outras - não fosse o fato de dois jornalistas brasileiros, após serem alertados por um telefonema anônimo, terem ido até o apartamento onde o casal morava. O envolvimento dos jornalistas acabou revelando a ação conjunta do Uruguai e do Brasil - e repercutindo internacionalmente o episódio. Em 1991, o governo gaúcho indenizou as vítimas daquela ação militar. No ano seguinte, o Uruguai também tomou a decisão de reparar os seqüestrados.


JK, Jango e Lacerda
Até hoje, uma das maiores controvérsias da Operação Condor em relação ao Brasil é a morte dos ex-presidentes Juscelino Kubitschek e João Goulart, e do ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda. Embora não existam provas que atestem o envolvimento do governo brasileiro na morte dos três políticos, os familiares de JK e Jango freqüentemente acusaram a participação da ditadura na morte dos ex-presidentes.

De tempos em tempos, parentes de Jango voltam aos jornais para acusar o governo militar de ter planejado e executado seu assassinato. Em 2008, o ex-agente do serviço de inteligência do governo uruguaio, Mario Neira Barreiro, disse em entrevista exclusiva à Folha de S.Paulo que espionou durante quatro anos João Goulart, e que ele foi morto por envenenamento a pedido do governo brasileiro.

Para investigar a morte dos dois ex-presidentes, o Legislativo chegou, inclusive, a instalar comissões especiais, que nunca conseguiram comprovar as teorias conspiratórias. Muito pelo contrário, os indícios, até agora, vão no sentido de comprovar que o Brasil não teve qualquer envolvimento com a morte de seus ex-presidentes, embora os dois episódios tenham ocorrido em circunstâncias estranhas na opinião de alguns observadores.

JK, Jango e Lacerda faleceram no espaço de menos de um ano. Em 1966, eles integraram a chamada "Frente Ampla", movimento de resistência à ditadura militar. Também por sua ativa participação no movimento oposicionista contra a ditadura, a morte dos três até hoje gera discussões quanto ao fato de terem ocorrido, ou não, sob as asas da Operação Condor.

*Vitor Amorim de Angelo é historiador, mestre e doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Carlos.