" A inquietude não deve ser negada, mas remetida para novos horizontes e se tornar nosso próprio horizonte."
Edgar Morin

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

NOSSO ARTIGO: Pragmatismo na Popularidade do Presidente




Divulga-se no momento pesquisas que apontam o alto índice de popularidade do Presidente Lula e por detrás desta aprovação divulgada pelos Institutos de Pesquisa, sem menosprezar as amostras consultadas, estes resultados ou diagnósticos são uma virose passageira, a qual já foi uma bactéria mortífera para os letrados deste País.


É bem verdade que o governo do presidente Luiz Inácio da Silva tem estabelecido um divisor nas tendências de governabilidade do Estado Brasileiro entre os anos da implantação da redemocratização e os anos das implementações da redemocratização (últimos oito anos).

A sua atuação como mandatário do poder executivo é notável, mesmo que seja público que se dá sob orientações da Ministra Chefe da casa Civil. De tal empenho da ministra decorre uma inegável competência de articulação política frente aos seguimentos internos e externos do poder de e para o Estado, o que deixou a desejar nos últimos governos do período de implantação da redemocratização.

A ação desta atuação ocorre tanto no campo interno do Estado como nas políticas desenvolvidas no âmbito internacional, estas últimas, um sucesso de bilheteria, tendo como foco principal a demonstração de qualificação do Brasil, como sendo o grande emergente da vez, para debater e atuar frente os desafios contemporâneos, que por hora são estonteantes diante das previsões norteadas pelos estudiosos econômicos e sociais.

Em nossos estudos nos deparamos com a conclusão: jamais houve um Brasil com um “papel de coadjuvante” no cenário internacional tão bem estruturado e respeitado.

O que se deve interpor e posicionar, neste momento é sobre a atuação interna do Presidente Lula, sua popularidade em alta e a verdade ou realidade que acerca estes índices divulgados, e como é útil aos interesses do Poder.

Como notável articulador político e disciplinado aprendiz de metodologia para práxis neoliberal, tendo como professora a Ministra Dilma, nem tudo é aprovação, sendo que o que se percebe é uma reprovação do sétimo para o oitavo ano, devido baixo rendimento na elaboração e construção de políticas sociais estruturais, eficazes e justas.

Utiliza-se de sua boa intenção e da sua sensibilidade cristã para com os “desprovidos”, o que jamais desconsideraríamos, além das experiências como proletário e a invejável liderança, a qual trás da suas raízes nos movimentos operários, mas, infelizmente, porém, sendo também, mais um a ser consumido pelo o ranço republicano do populismo e do assistencialismo, que contagia, além de estar cercado pelos poderes autônomos da República tão corruptos quanto o qual ele representa.

A popularidade do presidente se dá em um momento de mobilidade social. O fato é que a massa miserável saiu da faixa de miserabilidade, não toda, óbvio, e novos extratos sociais surgem.

Os desprovidos, os descamisados, os miseráveis, seja qual for o adjetivo que politicamente se estabeleceram nas retóricas e discursos políticos do período de construção redemocrática, estes “homens” adquiriram um pouco mais de notabilidade política: ter cidadania (afinal se tornam eleitores).

A classe baixa se tornou classe média baixa; a classe média baixa relativamente se estabelece no mesmo patamar da classe média média, e assim por diante. Mas isto é muito bom; muitos podem concluir; realmente nada mal se não fosse o pragmatismo utilitarista.

Mobilidade Social é bem vinda, mas neste caso esta sendo emblemático como elemento contributivo na instituição de um Estado de Direito. Abrimos uma aspa... “ a classe média sempre atuou no apressamento das mudanças políticas do país” – será que isto não faz parte de uma articulação política? Óbvio que sim e muito bem articulada.

Ocorre que a classe média média - configuração social anterior - “achatou”, virou recheio sem graça (sem expressão) do sanduíche social, devido às várias nuances político - econômicas que foram se efetivando. A classe média mais uma vez pagou o pato.

Não podemos deixar de realçar que neste extrato social, que virou recheio, estão inseridos em sua grande maioria nossos colegas: agentes intelectuais experientes ou letrados competentes. Vários profissionais de todas as áreas do conhecimento, com graduação e pós-graduação, hoje, muitos desempregados, (é estatístico – para esses os institutos de pesquisa não questionam sobre o governo do Presidente Lula) que são mão de obra qualificada, mas, porém, dispendiosa.

Intelectuais desempregados, desprovidos de dignidade, conhecedores da constituição cidadã e os princípios que norteiam os direitos fundamentais do homem, ficam e estão a mercê da ajuda financeira de familiares, afinal eles não têm direito aos benefícios da Lei 10.836/2004, que instituiu a Política Social articuladora da Bolsa Família.

Os nossos colegas devaneiam e choram ao pensar: “... mas, e a minha linha de pesquisa a qual eu desenvolvo?”... “E o projeto de devolução social que eu coordeno na Universidade para os educadores das escolas rurais e comunidades indígenas, na qual inclusive estão as da Raposa Terra do Sol?”... “E o Projeto Amazônia Sustentável para o Ministério do meio Ambiente, o qual participei da elaboração e me preparo para execução?... “e nosso Trabalho Científico premiado, o qual seria apresentado na ONU, representando o nosso País: “como” e “por que” o Brasil “auxilia” o combate a fome na África”?...” os avanços da medicina brasileira nas pesquisas sobre células tronco que iniciamos mesmo com enormes dificuldades de todas os matizes?”...” e o Congresso Nacional para Prevenção e Combate a Dengue, o qual nos solicitou para coordenar?”...” e o fórum de palestras sobre a inclusão digital no Brasil x o alto índice de analfabetismo funcional não mais irá ocorrer?”...” perdemos o emprego ““!!!!. Mudanças acontecem.
No momento haverá a manutenção do alto índice de popularidade do presidente lula, até depois dos festejos do final de ano, pelo menos, pois a crise aqui já chegou, já se instalou para muitos brasileiros, como explicitamos sobre nossos colegas, em nosso meio o desemprego soa alto e será maior ainda pois a inadimplência dos alunos, nas Universidades privadas – onde o aluno trabalhador e pobre estuda - já tem uma estimativa assustadora para o próximo semestre.
Os efeitos da crise mundial estão aqui, e com certeza não serão nada alentadores.

Agora é hora de festa: “... hoje é um novo dia... um novo tempo que começou... nesses novos dias mais alegrias... serão de todos...” e as palavras de ordem são: abram créditos... consumidores: às compras!!!.

Estamos ficando capengas de tanto defender: a efetivação de políticas públicas para a família brasileira como um todo; que o Estado não gastasse tanto – temos a maior dívida interna de todos os tempos; e o que se propaga que já se pagou a dívida externa, não se confere com a realidade dos fatos, pois sabemos que o que ocorreu foi uma reestruturação da mesma.

Colocarmos-nos diante de um pragmatismo dialético. É evidente que jamais estaríamos contra a aplicação do justo, do que pudesse proporcionar a matar a fome de famintos de dignidade, de liberdade e de igualdade de direitos para homens, mulheres e crianças, violentados pela disseminação contagiosa da corrupção que os tiram à verdadeira liberdade.
Definitivamente não queremos perpetuar em nós a dor que demonstra o nosso grande literato Machado de Assis quando diz: ”... Eu sinto a nostalgia da imoralidade”.
Finalizamos esclarecendo, para melhor reflexão dos leitores de que o Pragmatismo por nós referido acima “... aborda o conceito de que o sentido de tudo está na utilidade - ou efeito prático - que qualquer ato, objeto ou proposição possa ser capaz de gerar algo. Uma pessoa pragmática vive pela lógica de que as idéias e atos de qualquer pessoa somente são verdadeiros se servem à solução imediata de seus problemas. Nesse caso, toma-se a Verdade pelo o que é útil naquele momento exato, sem consequências”.