" A inquietude não deve ser negada, mas remetida para novos horizontes e se tornar nosso próprio horizonte."
Edgar Morin

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS

CONSULTO
Assessoria e Consultoria Educacional
•Consultora Professora Juliane Borges Gomide

NOVAS REGRAS ORTOGRÁFICAS PREVISTAS NO ACORDO ORTOGRÁFICO DA LÍNGUA PORTUGUESA

CONSIDERAÇÕES GERAIS

Ao tronco das línguas indo-europeias pertencem 425 línguas, entre elas sete das dez mais faladas do globo: alemão, bengali, espanhol, hindi, inglês, português e russo. O tronco indo-europeu expande-se a partir do século XV, com as colonizações da América, África e da Ásia. Atualmente essas línguas são faladas em todo o continente europeu e americano, na Austrália e em parte da Ásia.
O português é uma das línguas oficiais da Comunidade Européia desde 1986, data em que Portugal torna-se membro da instituição. Em 1994 é criada a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com sede em Lisboa. Formada pelos países listados abaixo, tem como objetivos preservar e expandir o português pelo mundo e promover a cooperação política, social, econômica e cultural entre os países-membros.
A língua portuguesa é oficial em nove países: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal , São Tomé e Príncipe e no Timor Leste.

“Esse Acordo é meramente ortográfico; portanto, restringe-se à língua escrita, não afetando nenhum aspecto da língua falada. Ele não elimina todas as diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial, mas é um passo em direção à pretendida unificação ortográfica desses países” - Douglas Tufano - Professor e autor de livros didáticos de Língua Portuguesa.

A seguir apresentamos as alterações introduzidas na ortografia da língua portuguesa pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa, em 16 de dezembro de 1990, por Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e, posteriormente, por Timor Leste. No Brasil, o Acordo foi aprovado pelo Decreto Legislativo no 54, de 18 de abril de 1995.


Alfabeto

O alfabeto é agora formado por 26 letras O 'k', 'w' e 'y' não eram consideradas letras do nosso alfabeto. Essas letras serão usadas em siglas, símbolos, nomes próprios, palavras estrangeiras e seus derivados. Exemplos: km, watt, Byron, byroniano.

Trema

Não existe mais o trema em língua portuguesa. Apenas em casos de nomes próprios e seus derivados, por exemplo: Müller, mülleriano. Cai o trema das palavras: agüentar, conseqüência, cinqüenta, qüinqüênio, freqüência, freqüente, eloqüência, eloqüente, argüição, delinqüir, pingüim, tranqüilo, lingüiça.
Exemplo como se aplica na regra atual: aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, frequente, eloquência, eloquente, arguição, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça.

ACENTUAÇÃO

Ditongos abertos (ei, oi) não são mais acentuados em palavras paroxítonas assembléia, platéia, idéia, colméia, boléia, panacéia, Coréia, hebréia, bóia, paranóia, jibóia, apóio, heróico, paranóico.
Exemplo como se aplica na regra atual: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico.

Observações importantes:

1. nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento
continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.
2. o acento no ditongo aberto 'eu' continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.

Hiato

O hiato 'oo' não é mais acentuado enjôo, vôo, corôo, perdôo, côo, môo, abençôo, povôo.
Exemplo como se aplica na regra atual: enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povôo.
O hiato 'ee' não é mais acentuado crêem, dêem, lêem, vêem, descrêem, relêem, revêem.
Exemplo como se aplica na regra atual: creem, deem, leem, veem, descreem, releem, revêem.



Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas pára (verbo), péla (substantivo e verbo), pêlo (substantivo), pêra (substantivo), péra (substantivo), pólo (substantivo).
Exemplo como se aplica na regra atual: para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo).
Observação: o acento diferencial ainda permanece no verbo 'poder' (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - 'pôde') e no verbo 'pôr' para diferenciar da preposição 'por'.



Não se acentua mais a letra 'u' nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de 'g' ou 'q' e antes de 'e' ou 'i' (gue, que, gui, qui) argúi, apazigúe, averigúe, enxagúe, enxagúemos, obliqúe.
Exemplo como se aplica a regra atual: argui, apazigue,averigue, enxague, ensaguemos, obliqúe.

Não se acentua mais 'i' e 'u' tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo baiúca, boiúna, cheiínho, saiínha, feiúra, feiúme.
Exemplo como se aplica a regra atual: baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume.


Hífen


O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por 'r' ou 's', sendo que essas devem ser dobradas ante-sala, ante-sacristia, auto-retrato, anti-social, anti-rugas, arqui-romântico, arqui-rivalidae, auto-regulamentação, auto-sugestão, contra-senso, contra-regra, contra-senha, extra-regimento, extra-sístole, extra-seco, infra-som, ultra-sonografia, semi-real, semi-sintético, supra-renal, supra-sensível


Exemplo como se aplica a regra atual: antessala, antessacristia, utorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível.

Observação: em prefixos terminados por 'r', permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, hiper-requintado, hiper-requisitado, inter-racial, inter-regional, inter-relação, super-racional, super-realista, super-resistente etc.


O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal auto-afirmação, auto-ajuda, auto-aprendizagem, auto-escola, auto-estrada, auto-instrução, contra-exemplo, contra-indicação, contra-ordem, extra-escolar, extra-oficial, infra-estrutura, intra-ocular, intra-uterino, neo-expressionista, neo-imperialista, semi-aberto, semi-árido, semi-automático, semi-embriagado, semi-obscuridade, supra-ocular, ultra-elevado.
Exemplo como se aplica na regra atual:
autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, autoinstrução, contraexemplo, contraindicação, contraordem, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intraocular, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, semiembriagado, semiobscuridade, supraocular, ultraelevado.

Observações importantes :

1. esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes antes:
antiaéreo, antiamericano, socioeconômico etc.
2. esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por 'h':
anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo etc.


Será utilizado o hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal. antiibérico, antiinflamatório, antiinflacionário, antiimperialista, arquiinimigo, arquiirmandade, microondas, microônibus, microorgânico.
Exemplo como se aplica na regra atual: anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico.

Observações importantes:

1. esta regra foi alterada por conta da regra anterior: prefixo termina com vogal + palavra inicia com vogal diferente = não tem hífen; prefixo termina com vogal + palavra inicia com mesma vogal = com hífen.
2. uma exceção é o prefixo 'co'. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal 'o', NÃO utiliza-se hífen.


Não utiliza-se mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição manda-chuva, pára-quedas, pára-quedista, pára-lama, pára-brisa, pára-choque, pára-vento.
Exemplo como se aplica na regra atual: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, parachoque, paravento.


Considerações importantes quanto a utilização ou não do uso do hífen

1. permanece em palavras compostas que não contêm elemento de
ligação e constitui unidade sintagmática e semântica, mantendo o
acento próprio, bem como naquelas que designam espécies
botânicas e zoológicas: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião,
conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-
flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc.

2. permanece em palavras formadas por prefixos 'ex', 'vice', 'soto-
Exemplos: ex- marido, vice-presidente, soto-mestre. Em palavras formadas por prefixos 'circum' e 'pan' + palavras iniciadas em vogal, M ou N pan-american - Exemplo: circum-navegação. Em palavras formadas com prefixos 'pré', 'pró' e 'pós' + palavras que tem significado próprio, Exemplos: pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação. Em palavras formadas pelas palavras 'além', 'aquém', 'recém', 'sem' além-mar, além-fronteiras, aquém-oceano, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto


3. Não existe mais hífen em locuções de qualquer tipo (substantivas,
adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou
conjuncionais) cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão
de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade,
a baixo de, acerca de etc. Exceções: água-de-colônia, arco-da-
velha, cor–de–rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará,
à queima-roupa.



• Fontes - Professores: Marília Mendes Ferreira – doutora em Lingüística Aplicada e Douglas Tufano - autor de vários livros didáticos e paradidáticos de Língua Portuguesa, publicados por diversas editoras do Brasil.


• Juliane Borges Gomide – Professora,
Historiadora e Pesquisadora é Consultora em Educação.